segunda-feira
Dancei. Dancei. E dancei. E todos aqueles rodopios, Rebeca, eram para você. Louca, eu queria fazer-me o auge da simplicidade. Perigosamente nua. Aquela nudez sem pose. Meu Deus, como desejei uma nudez sem pose: a nudez da terra e dos trovões, nudez da liberdade, uma nudez feia. Feia, Rebeca. Dancei e, em meus rodopios, fui livremente feia. Quando soltamos nossas mãos e nossos pés e nossos ventres e nossos pelos, a beleza se esvai como que desnecessária. Sobramo-nos deusas, conhecedoras – não! criadoras: criadoras dos mais delicados mistérios que descem ácidos e melados nas gargantas desavisadas. Por isso escolhi você, Rebeca. Por isso sempre escolho você. Encantam-me as coisas que você diz. Não me refiro à resposta, querida, porque a resposta é simples. Digo das perguntas que dançam e das não-palavras que melodizam a tentativa de expressar. Expressar o que? O nada. O nada, o feio, o osso, o fundo da garganta. O sono, o alívio, a velhice, o tempo e todos os tédios. Dancei, querida, dancei magicamente sobre o tédio, excitantemente entediada: amando o vazio como quem ama um príncipe.
Essa foi a minha revolução da noite: amar aquilo que não se vê, aquilo que ali não está, amar estonteantemente o mal-amado: a pedra, a folha seca, as formigas e os escorpiões. Amar os detalhes e as solidões: nossas aflitas solidões vermelhas. Apagamos a vermelhidão, Rebeca, e nos deitamos nas sombras, as sombras que acariciam nosso sossego e que fazem do silêncio uma glória. Sombras que aguardam o amanhecer e que nos abraçam caladas para que possamos pensar. Pensamento que arrebata, Rebeca, que é razão risonha e sabedoria infantil. Pensamento insano, querida, que nos aguça os sentidos porque inventa a paz. Eu amo, amo, amo as sombras, Rebeca. E dentro delas eu danço, ali onde só você vê…
Foto: Dee´lite






que 2010 continue cheio de rebeca, de dança, de loucura, de saudade, de paixão, de silêncio, de vermelho, de poesia, de tuas palavras, que leio sempre com tanto prazer.
beijo, querida.
um suspiro longo…
a d o r e i!
p.s.: vamos nos ver semana que vem, com Felipe?
Sinceramente encantadoras suas palavras…Texto magnífico…
Aplausos infinitos!!!
Meus sinceros Parabéns
“porque a resposta é simples”
Que texto forte, Carla! Mas é um forte simples
simples porque talvez seja essencial, porque esteja incrustado nas cavernas do ser, brilhando, mas sem vaidade, brilha porque é.
Um beijo!
Faço minhas as palavras de Natália. Um texto forte e simples, que brilha por si, porque as palavras são as que deviam ser.
Beijo pra você, Carla.
Rebeca nos contornos e esquinas do vento arredio. Melhor deixar que sua liberdade encha as narinas da seiva dos segredos. E é melhor que fique onde está, nesse deslugar que lhe pertence, onde não presta homenagens nem paga tributos a ninguém. Porque se transposta para o mercado das sensações citadinas, se trazida pela corrente da urbe fazedora de produtos, Rebeca terá versões mignon e remix, terá requintes e configurações, será um kit e o kitsch, ninguém a quem se lancem dois olhares, e muito menos parceira de dança que não publique os secretos rodopios a quem mais lhe pagar.
a cumplicidade de vcs duas me é tão funda e bonita q me faz compreender melhor as coisas de dentro.
estou me mudando, amiga querida. vou morar em goiás.
é uma dança que ensina o poder da criação!