sábado
Ela, pequena, voava faceira;
amava viagens: sorria miragens.
Veio me contar hoje mesmo
que amanhã amanheceria
A boca salgava reentrâncias: era oceânica.
Foi então que pariu aquele segredo
de nome vermelho
Era tão rubra que sangrava
e suas manhãs espelhadas contavam mil histórias.
Nasce a primeira, alva e rendada:
*
Azuis, meus sonhos eram pétalas
e eu estava vestida de noiva…
foi em uma estação de trem
vazia
que me despi inteira e me exibi cicatriz
desde então nunca mais casei
mal-falaram os nomes da minha nudez
bem-disseram a força dos braços dele
o noivo era muito mais bonito que eu
mas eu voava…
*
O sal parecia vinho e embriagava os lábios-mares
Ela, sorrindo, historiava macia
Memoriava cigana
as cores de seu futuro
Nas mãos-volúpias da terra
leu um destino-mistério:
fundo!
Foi assim que fez história – mais uma
ouvindo a língua do mundo:
*
No fundo do lago verde
Existe uma pedra de sal
É lágrima, segredo, mar
Dói como se o bebê morresse
- aquele que era meu filho –
ou como se o vento parasse
e toda a terra ruísse.
Eu era mãe de uma pétala
que se tornou uma flor
rasguei meus vestidos e hoje
ao fundo do lago vou.
Nua!
*
Brincávamos danças de roda
Mãos atadas, menos ela
Sozinha, criava os mapas
de reinos que não nasceram
florestas e trilhas e rios
centenas de pedras caminhos
Era rainha do nada
e ao nada narrava inventos:
*
Róseas matas
terras de ninfas
eu, musa-cantora da voz-silêncio das folhas,
cantei os ventos de fora aos sonhos-aromas da Lua
vertendo areias e sangues e águas-bentas
explosão das marés das manhãs mansas
Macia, amansei o Sol
pros raios dançarem mais doces
e fazer escuro mais cedo
Nasceu aqui o silêncio que afunda na terra…






Nossa, Polímnia, tu és mesmo uma musa!
E que musa!
sempre inebriando com tuas palavras-gesto-canção, tão funda, tão útero!
gosto tanto de te ouvir e estabelecer contigo diálogos.
em breve lhe escrevo uma missiva, que por assim dizer, está em processo.
vôo, criana ao vento que sou,
e lhe deixo uma notícia: o rebento é um potro
macho que só ele!
voemos, crinas aos ventos!
A isso eu chamaria uma brincadeira séria – e cheia de poesia…
Beijo!
Quão leve e leve e leve
e pousa!
abç
Carta curta.
beijocas
Que coisa mais linda. intensa.
amei a ilustração de Frida.
gosto muito dela.