sábado
Do mesmo modo que a tua estrela cintilava firme
feito um farol eterno no infinito do mundo
a minha me engolia em fogo
- eu no inferno:
desabrochando em cinzas férteis
e novos grãos.
Nasci sob o signo dos sonhos:
atarefada demais nas ilusões
ensimesmada
aguada.
Nasci na fé infinita das crianças,
mas com olhos mais velhos que o mundo.
Nasci assim: para o amanhã
Sozinha
De modo que.
De modo que existo e me parto
- um parto!
Cada nascimento é uma ferida aberta
e eu tantas vezes nasço, invento e me refaço
tantas vezes vivo, insisto,
desato
mato
teço tuas mãos tremendo em meu ventre
ou tua vontade escorrendo em meus lábios:
um grito de prazer.
Faço teus nós em meus dedos:
- abro-me -
e já de dentro sou a casca arruinada
daquilo que passou:
um véu de ontem.
Eu nasço
infinitamente
- e tantas vezes mais -
até que um dia.
Imagem: O nascimento de Vênus (Botticelli)





