quinta-feira
Toda essa arte de re-espelhar mulheres: eu faço um caldo de nosotras, as outras – nosso lago é mais que espelho porque o que eu enxergo no fundo não sou eu, mas o tremor invertido de quem…
Quem: ela. Envelheceu conversando com as plantas e treme impaciente diante daquilo que a faz rememorar: quer o futuro! Almeja o amanhã que imita o hoje – suave apreciação do tédio. Aprendeu a amar o ciclo e sabe que o ano que vem é um retorno aos primeiros passos deste: mais uma vida. Até o dia da morte, amém.
Ela: quem? Queria morrer e caiu. Só porque se apreciava em excesso: era tanto amor, tanta volúpia. Um excesso de sabedoria e beleza e uma casa bonita pra cuidar: os meninos, o homem e nunca mais o antigo caderno de sonhos. Tanto amor e tropeços: a gente sabia que ninguém entendia. Eu digo “a gente” porque entendo um bocado dessas paixões de espelho, narcisos, vidros partidos. Mas ainda não era hora de partir: caiu num quase e um anjo segurou. Dizem que foi um anjo. Ela acredita. Era tanto, tanto amor.
Ela: eu. Rodopiava menina, menina demais. Raiva e amor e infinitos pequenos pecados: só ela sabia. Escrevia e pintava, mostrava orgulhosa o desenho da moça de seios grandes. Futurava-se. E morria de medo de Deus. A gente sempre tem medo de uma coisa que não é tão menina feito a gente. “Se eu fosse uma bruxa, transformaria deus em mulher”. Como se, e, de fato, eram: as bruxas mais fortes que deus. Ela sabia. Era aprendiz daquilo que mais tarde não viria a ser – é que o tempo tem mania de esconder feitiços na dobra do lençol.
Eu: você. Quebramos o espelho e o infinito é nosso.






Medo do desconhecido. Medo da velhice. O medo é o paradoxo da vida. Mais a que a morte, porque nos acompanha até que ela chegue.
Eu já tive parte com elas. Hoje? Hoje nem sou mais.
Mandem-me E-books, por favor.
Gostei do Site. Por favor, enviem-me e-book’s para eu ler!
Giovanni Martins
[...] era tanto amor, tanta volúpia. Um excesso de sabedoria e beleza e uma casa bonita pra cuidar: os meninos, o homem e nunca mais o antigo caderno de sonhos.
Ela: eu.
…
Diz pra ela não ter pressa de futuro não, Carlinha! (agora ela: ela – eu não tenho pressa
“futurava-se”.
converso com minhas plantas sobre pecados, mortes, anjo. e tenho deusa. e meu deus é casado.
lindo, carla.
beijos.
O excesso de trabalho dos últimos meses — ocasionado, entre outras coisas, pelas eleições — me tirou um bom tanto o tempo de render o necessário culto às palavras. Seja pela escrita, seja por sua gêmea siamesa, a leitura (o que me restaram foram a escrita e a leitura técnicas, frias, quase totalmente objetivas — quase porque a gente, na verdade, nunca se escusa de ser). Senti falta desse diálogo múltiplo, tanto com o passado quando com o futuro. Senti falta, por exemplo, de seus comentários em meu blog — e mais ainda de te ler aqui, já que salpicas delicadeza em cada canto de frase de teus textos. Senti falta, também, de ler minha irmã — que há tempos não visitava virtualmente.
Bom estar aqui de volta e encontrar à minha espera — sem que de fato esperassem — oito novos textos. Agora sete, pois com essa menina espelhada que esconde feitiços na dobra do lençol — e das palavras — já me encontrei.
Prazer em ler-te!
Ah! e sobre a paixão que a política tem o condão de despertar: por mais estranha e incompreensível que essa paixão possa nos parecer — ou pelo menos a mim –, ela existe…
Como existe a paixão pelas palavras (e o poeta, segundo um poeta-pássaro, é somente um ente que lambe palavras e depois alucina), pelos sons e tons, pelas cores e suas matizes, pela concretude das formas, pela precisão de movimentos do corpo de baile… Do amor pelo saber se origina a filosofia. Amar, desejar, apaixonar-se são atitudes humanas, demasiado humanas…