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	<title>Baile de Máscaras</title>
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		<title>Maria das tempestades</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Feb 2012 14:09:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[meninas]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; O quanto me movo, Maria? É sempre a sua voz que me chama: sua voz Maria mansa das revoluções das mulheres que empunham bandeiras. Maria sereia, rainha, Iemanjá. Dos Mares ou Iansã das Tempestades: senhora de nossas histórias antigas &#8211; quando ainda não tínhamos mania de, em nome dos  nomes dos donos do poder, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://vidaespiritualidade.com.br/eparrei-iansa/" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2083" title="iansa" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/02/iansa1.jpg" alt="iansa1 Maria das tempestades" width="500" height="333" /></a></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">O quanto me movo, Maria? É sempre a sua voz que me chama: sua voz Maria mansa das revoluções das mulheres que empunham bandeiras. Maria sereia, rainha, Iemanjá. Dos Mares ou Iansã das Tempestades: senhora de nossas histórias antigas &#8211; quando ainda não tínhamos mania de, em nome dos  nomes dos donos do poder, adoecer nossas lutas. Hoje eles dizem que o silêncio é de bom tom: o tom dos moderados. Aprendi a ser moderada, Maria. A entender a letra da lei e seus princípios: a palavra escrita e seu voto sagrado &#8211; se dizem os doutores, obedeço feito um cordeiro de quem nunca será deus, porque não sabe o que é tempestade. Então, minha mãe &#8211; minha boa mãe que jamais será santa: diga-me quantos mares são necessários para abarcar essas lágrimas. Das meninas destroçadas pelos homens de bem. Das crianças amansadas pelas mãos gentis dos senhores. Dos séculos e séculos de açoites no engenho: e todos nós acreditando que eram costumes da época e que devemos perdoar. Assim como perdoamos os vis costumes do hoje, amém Senhor, amém. Assim como perdoaremos para sempre a quem nos tem ofendido. Agora e na hora da morte da deusa. Maria: a sua tempestade nunca vai passar. Eu sei, porque você vive em mim. Feito fogo, flor e reza braba &#8211; sua deliciosa acidez de boa mãe. A sua pele ferida e açoitada. Mas não é bela a sua dor, Maria. Bonita mesmo é sua fúria. É a ela que presto todas as minhas homenagens. Enquanto desprezamos juntas a paz impossível dos que menosprezam um mundo que sofre. Amo você, Maria. Você é o melhor de mim &#8211; nem sei se existe.</p>
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		<title>Desejantes</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 20:33:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[desejante]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nutrir o desejo de uma semente: uma esperança no vendaval - dar à luz estrelas, terras, universos damas, sereias, verdades, suspiros - uma semente viva à espera de. Erguer-se ao destino de deuses e deusas: morrer por amor, em voraz sacrifício - amor aos que choram, aos pés descalços, amor às crianças, às loucas, às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/02/iemanja.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2071" title="iemanja" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/02/iemanja.jpg" alt="iemanja Desejantes" width="667" height="838" /></a></p>
<p>Nutrir o desejo de uma semente:<br />
uma esperança no vendaval<br />
- dar à luz estrelas, terras, universos<br />
damas, sereias, verdades, suspiros -<br />
uma semente viva<br />
à espera de.</p>
<p>Erguer-se ao destino de deuses e deusas:<br />
morrer por amor, em voraz sacrifício<br />
- amor aos que choram,<br />
aos pés descalços,<br />
amor às crianças, às loucas, às fêmeas:<br />
amor ao que vive e morre em anseio<br />
- incessante -<br />
amor ao que luta enquanto palpita.</p>
<p>Ferver-se em glória, segredo, ruína<br />
enquanto os donos do mundo assinam:<br />
decretos<br />
verdades<br />
sanções<br />
holocaustos!</p>
<p>É ser multidão, mais que um:<br />
o desejo!<br />
Nutrir os possíveis de uma semente:<br />
parir o infinito das causas perdidas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A sombra de Deus</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jan 2012 21:21:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[instantes]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[A sombra de Deus me pegou - num susto - acelerando meus passos, vertendo-se em meu encalço: fazia medo da morte da noite do furo. &#160; Medo dos cristais de fogo que nasciam de mim rompendo-me entranhas, ventre, precipício: &#160; era como quebrar ao contrário - nascer. era como parir às avessas - o dentro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/avesso.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2068" title="avesso" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/avesso.jpg" alt="avesso A sombra de Deus" width="400" height="516" /></a></p>
<p>A sombra de Deus me pegou</p>
<p>- num susto -</p>
<p>acelerando meus passos,</p>
<p>vertendo-se em meu encalço:</p>
<p>fazia medo da morte</p>
<p>da noite</p>
<p>do furo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Medo dos cristais de fogo</p>
<p>que nasciam de mim</p>
<p>rompendo-me entranhas,</p>
<p>ventre, precipício:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>era como quebrar ao contrário -</p>
<p>nascer.</p>
<p>era como parir às avessas -</p>
<p>o dentro de mim.</p>
<p>era minha fera reluzente -</p>
<p>o anjo de armadura.</p>
<p>era eu.</p>
<p>só que outra.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A sombra de deus era o outro</p>
<p>Sem nome. Um deus que sabia dançar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<pre style="text-align: right;">Imagem: pintura de Magritte
</pre>
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		<title>O nome da deusa</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Jan 2012 14:33:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[aqui dentro]]></category>
		<category><![CDATA[lá fora]]></category>
		<category><![CDATA[meninas]]></category>
		<category><![CDATA[deus]]></category>
		<category><![CDATA[deusa]]></category>
		<category><![CDATA[deuses]]></category>
		<category><![CDATA[devoção]]></category>
		<category><![CDATA[Feminino]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; E quando deus criou o verbo, que se fez intenso em minha carne, mal sabia ele, mal sabia a ele. Que hoje me submeto ao verbo como quem se entrega a um vício: a palavra me afunda a vida em seus múltiplos sentidos, em suas infinitas vontades. A palavra deseja dizer Homem e imediatamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/iemanja.jpg"><img class="size-full wp-image-2057 aligncenter" title="iemanja" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/iemanja.jpg" alt="iemanja O nome da deusa" width="389" height="562" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">E quando deus criou o verbo, que se fez intenso em minha carne, mal sabia ele, mal sabia a ele. Que hoje me submeto ao verbo como quem se entrega a um vício: a palavra me afunda a vida em seus múltiplos sentidos, em suas infinitas vontades. A palavra deseja dizer Homem e imediatamente se rompe em corpos mil: os olhos negros de Jorge, o fundo na noite em Lucas, o peso da morte em Paulo e todas as tantas verdades nas meninas que acabaram de nascer. Menina, que também é Homem &#8211; Homem que é o infinito da palavra que engloba o mundo e seus todos e todas. Por isso escolho agora a palavra Mulher e deixo que ela se multiplique ali na estrada. Na pele escura de Ana, andante Ana &#8211; eterna Ana rompendo-se em grãos de areia e asas de borboleta: Ana de cabeça raspada, Ana de cabelos soltos e livres, Ana mãe filha anjo sereia, Ana que agora é Maria &#8211; minha Maria. Sempre faço minhas as Marias. Sempre me esbarro com elas aqui ou ali e elas me contam seus segredos ou suas verdades: houve aquela Maria que esquizofrenizava todas as palavras do mundo, de modo que minha compreensão era rasa diante de todos os pedaços dela. Houve a outra que jamais envelheceu, e que me cantava serena umas canções tão antigas, que me faziam pensar: &#8220;de que tempo você vem?&#8221;. De que tempo? E houve outra. Maria das mulheres. Maria que se despedaçava em santa ou madalena, maria para quem eu rezava minhas preces de amor ou entregava minha vontade de revolução. Maria de cabelos livres, nos tempos em que a polícia reinava: expunha seu corpo de mulher e clamava por transformações. Pedia um espaço para os pedaços esquizofrênicos da primeira, outro espaço para o tempo de todas as mulheres &#8211; mesmo as que não eram esposas &#8211; e, ao contrário da segunda, talvez tenha nascido mais velha que o mundo. Então por que os olhos tinham toda a graça torta da juventude? &#8220;Me conta o seu segredo, Maria&#8230;&#8221; Mas não havia segredo. Havia apenas ela, ali: elas tantas. O verbo que se fazia carne viva, a carne das mulheres: a carne que dizia, em seu balanço pelas ruas &#8211; empunhando bandeiras de tantas cores -, a carne que dizia o nome da deusa.</p>
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		<title>Carnaval</title>
		<link>http://www.bailedemascaras.blog.br/carnaval/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jan 2012 03:27:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[carnaval]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Eu, que nasci em novembro, fadada ao peso da vida - &#160; (dizem os astros: a fera ,veneno de escorpião, dizem os anjos: a besta ,a fome da noite em mim) &#160; - peço aos deuses o direito de nascer mais uma vez. &#160; Ofereço em sacrifício à fera, meus ossos do ofício &#160; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://alrocha-antenacultural.blogspot.com/2011/03/quem-sao-o-pierro-o-arlequim-e.html" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2047" title="colombina" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/colombina.jpg" alt="colombina Carnaval" width="481" height="640" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu, que nasci em novembro,</p>
<p>fadada ao peso da vida -</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>(dizem os astros: a fera</p>
<p>,veneno de escorpião,</p>
<p>dizem os anjos: a besta</p>
<p>,a fome da noite em mim)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>- peço aos deuses o direito</p>
<p>de nascer mais uma vez.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ofereço em sacrifício</p>
<p>à fera, meus ossos do ofício</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>- &#8220;dou-lhe o que me sustenta,</p>
<p>arranque o peso de mim&#8221; -</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>à besta, minhas lembranças.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aos deuses entrego o desejo:</p>
<p>&#8220;é quase fevereiro</p>
<p>quase quero despertar&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>É quase o tempo da dança</p>
<p>quase o espocar das luzes</p>
<p>quase o ritmo dos sonhos</p>
<p>quase o dia</p>
<p>quase lá:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8220;Oh, deuses, como é que faz</p>
<p>pra nascer no Carnaval?&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Nascida</title>
		<link>http://www.bailedemascaras.blog.br/nascida/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Jan 2012 17:12:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[aqui dentro]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[mortes]]></category>
		<category><![CDATA[nascer]]></category>
		<category><![CDATA[renascer]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160; Do mesmo modo que a tua estrela cintilava firme feito um farol eterno no infinito do mundo a minha me engolia em fogo - eu no inferno: desabrochando em cinzas férteis e novos grãos. &#160; Nasci sob o signo dos sonhos: atarefada demais nas ilusões ensimesmada aguada. &#160; Nasci na fé infinita das crianças, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/botticelli-o-nascimento-de-venus.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2033" title="botticelli-o-nascimento-de-venus" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/botticelli-o-nascimento-de-venus.jpg" alt="botticelli o nascimento de venus Nascida" width="420" height="262" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Do mesmo modo que a tua estrela cintilava firme</p>
<p>feito um farol eterno no infinito do mundo</p>
<p>a minha me engolia em fogo</p>
<p>- eu no inferno:</p>
<p>desabrochando em cinzas férteis</p>
<p>e novos grãos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nasci sob o signo dos sonhos:</p>
<p>atarefada demais nas ilusões</p>
<p>ensimesmada</p>
<p>aguada.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nasci na fé infinita das crianças,</p>
<p>mas com olhos mais velhos que o mundo.</p>
<p>Nasci assim: para o amanhã</p>
<p>Sozinha</p>
<p>De modo que.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>De modo que existo e me parto</p>
<p>- um parto!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Cada nascimento é uma ferida aberta</p>
<p>e eu tantas vezes nasço, invento e me refaço</p>
<p>tantas vezes vivo, insisto,</p>
<p>desato</p>
<p>mato</p>
<p>teço tuas mãos tremendo em meu ventre</p>
<p>ou tua vontade escorrendo em meus lábios:</p>
<p>um grito de prazer.</p>
<p>Faço teus nós em meus dedos:</p>
<p>- abro-me -</p>
<p>e já de dentro sou a casca arruinada</p>
<p>daquilo que passou:</p>
<p>um véu de ontem.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu nasço</p>
<p>infinitamente</p>
<p>- e tantas vezes mais -</p>
<p>até que um dia.</p>
<p>&nbsp;</p>
<pre style="text-align: right;">Imagem: O nascimento de Vênus (Botticelli)</pre>
]]></content:encoded>
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		<title>Mariazinha</title>
		<link>http://www.bailedemascaras.blog.br/mariazinha/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 18:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[meninas]]></category>

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		<description><![CDATA[Mariazinha, a pequena, tinha os olhos &#8211; negros e fundos &#8211; vidrados no amanhecer. Era, então, hora de dormir. Mas ela não conseguia, não sabia, não podia. Quem a visse poderia até pensar &#8211; não sem certa razão &#8211; que havia anos que ela não tirava um cochilo. Punha o café para passar, faltava pão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://dicasmil.com.br/fotos-de-esculturas-de-fumaca.html" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2027" title="esculturas-de-fumaça-5" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/esculturas-de-fumaça-5.jpg" alt="esculturas de fumaça 5 Mariazinha" width="600" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Mariazinha, a pequena, tinha os olhos &#8211; negros e fundos &#8211; vidrados no amanhecer. Era, então, hora de dormir. Mas ela não conseguia, não sabia, não podia. Quem a visse poderia até pensar &#8211; não sem certa razão &#8211; que havia anos que ela não tirava um cochilo. Punha o café para passar, faltava pão &#8211; muitas vezes faltava pão, mas a vizinha era boa e generosa e compartilhava a comida e algumas gotas de sossego. Maria mastigava devagar e pensava na noite e nos homens.</p>
<p style="text-align: justify;">O último era enorme e peludo, feito um urso. Cobriu Mariazinha, a pequena, inteira. E meteu-se nela assim sem amor e com muita vontade, como se sentisse fome. Ela se lembrava agora, mas queria esquecer. Começara antes dos quinze anos. Era então ainda mais Mariazinha, ainda mais pequenininha, e seus olhos não eram tão fundos: eram negros e reluzentes e guardavam uma esperança gostosa que lhe fazia cócegas por dentro. Assim mesmo, como se lacrimejasse para dentro todas as vezes em que tinha vontade de chorar.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando fazia &#8211; quando acontecia de acontecer, por alguns trocados -, Maria fingia tirar a alma um pouquinho e deixá-la pendurada na cadeira junto com o vestido vermelho ou amarelo florido. Mal sabia ela que isso era impossível, que, quando estamos vivos, corpo e alma não se separam &#8211; nem por reza braba. Nem nos sonhos. Acontece, é claro, de termos sonhos de voar paisagens distantes, mas bem sabemos que nesses sonhos o corpo sente todas as vibrações de alegria, todas as fantasias. Do mesmo modo, quando se deitavam sobre ela assim desajeitados e perfuravam seu corpo &#8211; assim, ávidos, úmidos e pesados -, a alma sentia os furos e recebia gotas corrosivas de um veneno invisível. Porque também a alma é invisível. Mas sente. E Maria antes dos quinze, bem Mariazinha, tão pequena, sentia em sua alma o veneno, a morte, até mesmo a flor. A flor era quando sonhava e pensava que o espírito ia embora um pouquinho. Não ia. Nos sonhos bonitos o espírito forte acaricia o corpo, faz ternuras mansas para curar as feridas que nos atingem enquanto despertos. Mariazinha, sem saber, sabia. E sonhava. Sonhava muito. Mesmo acordada deixava a alma voar. Mesmo agora.</p>
<p style="text-align: justify;">Agora era Maria maior e quase sempre desperta. De olhos fundos. Havia abandonado marido e duas filhas. Não suportara tanto. Era mais do que o peso de mil corpos ávidos. Mais do que os entorpecentes ácidos, a pedra do crack, mais, mais, mais. Era um excesso de dor. Não poderia contar: como faria, sem que a chamassem de monstro? Já diziam, antes mesmo de tudo, que era por culpa dela que as meninas não aprendiam. Como aprenderiam, se a escola era um pedaço do inferno? Em sua época, pelo menos havia sido, não seria o mesmo para as pequeninas? Perguntava-se agora se as amava. Não respondia. Só sabia que sim, porque é a lei de deus: mães amam seus filhos. E esposas amam seus maridos. A culpa era do entorpecente. Da fome. Daquele miolo de pão que lhe causava uma eterna ânsia e vômito. Do peso nos braços, nos seios, no ventre. &#8220;Perdoa, Jorge, um dia te escrevo para explicar&#8221;. Até que escrevia bonito. Na época em que ainda sabia dormir, rabiscava umas letras bonitas de poesias de amor. E umas orações. Quando ainda acreditava em deus. Porque era lei de deus: ele tira as coisas da gente quando a gente para de merecer. Ela não sabia bem quando havia parado de merecer. Chamava-se Maria e seu nome devia ser sagrado. Como o da mãe de deus. Era, no entanto, um nome entre muitas dores. Um nome assim fatigado. Que nunca mais dormia. Maria de olhos vidrados. Mariazinha, a pequena: aquela beleza frágil que se despedaçava no ar. Muitas vezes sangrava dolorida demais pra gritar. Mas diriam: &#8220;você escolheu assim&#8221;. Aqueles que acreditam naquela maldita ideia da escolha nossa de cada dia. Maria só acreditava nas flores. E, quando tentava dormir e conseguia, deixava a alma voar. Lá onde os sonhos acariciam o corpo. Era uma escolha. Miúda, mas uma escolha.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Ver <a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/fuligem/" target="_blank">Fuligem</a> e <a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/jorge-e-marias/" target="_blank">Jorge e Marias</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Jorge e Marias</title>
		<link>http://www.bailedemascaras.blog.br/jorge-e-marias/</link>
		<comments>http://www.bailedemascaras.blog.br/jorge-e-marias/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Jan 2012 20:46:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[meninos]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa Poética]]></category>

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		<description><![CDATA[O fios da vida roídos pelos dentes fracos daquele rato verde: Maria dilacerou o delírio, pôs um fim àquela farsa e deu à luz Jorge, miúdo Jorge do mundo &#8211; que seria santo, amante ou pescador. Ou tudo junto. Ajudante de pedreiro,  mecânico, secretário, namorado, príncipe, doutor. Mas Maria era louca e todo mundo começou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://dicasmil.com.br/fotos-de-esculturas-de-fumaca.html" target="_blank"><img class="aligncenter size-full wp-image-2017" title="esculturas-de-fumaça-3" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2012/01/esculturas-de-fumaça-3.jpg" alt="esculturas de fumaça 3 Jorge e Marias" width="560" height="535" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">O fios da vida roídos pelos dentes fracos daquele rato verde: Maria dilacerou o delírio, pôs um fim àquela farsa e deu à luz Jorge, miúdo Jorge do mundo &#8211; que seria santo, amante ou pescador. Ou tudo junto. Ajudante de pedreiro,  mecânico, secretário, namorado, príncipe, doutor. Mas Maria era louca e todo mundo começou a acreditar que filho de peixe é peixe miúdo, sem caminho outro a seguir. E Jorge era peixe louco, nascido do delírio triste de Maria: os ratos verdes que roem o fio da vida, feito esperança vil que encontra paz na morte. &#8220;Verde, Maria, é a morte, pois só lá há esperança. Só lá.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Jorge peixe, rato, pássaro e leão. Abriu as asas e bagunçou a juba no matagal, sentindo que as folhas podiam também usufruir daquele fino amor de mãe &#8211; amor de Mariazinha. Mas Mariazinha, a pequena, era a namorada e não a mãe. Mariazinha, a pequena, tomou-o pela mão esquerda e pediu que nunca partisse e Jorge prometeu sua primeira promessa sem saber se poderia cumprir. Beijou Mariazinha, a pequena, e ele também pequeno, deitou-se ao lado dela e esperou o sol dormir. Que dizem que o sol dorme para acordar a lua e a lua era Mariazinha, miúda Mariazinha, faminta Mariazinha; Mariazinha dos sonhos &#8211; os doces sonhos de Jorge: amanhã acordaremos grávidos de flor e teremos um mundo nosso. Mas faltava água. E Mariazinha ainda sentia fome. Engravidou não de flor, mas de duas Mariazinhas, miúdas, miúdas, miúdas. Lindas. Jorge era pai sem delírio e ensinava coisas retas às pequenas: o que pode, o que não pode, o jeito que deus ensina a gente a viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Mariazinha ressentiu-se um dia &#8211; sei lá do que &#8211; e foi embora voando, meio louca, meio sã, e diziam as más línguas de todos os donos das leis  (das saúdes e das escolas) que as meninas &#8211; as Mariazinhas miúdas &#8211; tinham dificuldade de aprendizagem porque a mãe era puta. Quanto a Jorge&#8230; Oh, Jorge: o pai. Nem sabia enlouquecer. Nem podia. Tinha Marias que não sabiam aprender. Nem ele. Queria contar que aprender era difícil para aqueles a quem não é dada a palavra que governa o mundo. Qual é a palavra que governa o mundo? Sentia falta de Mariazinha, a pequena, sua primeira amada da primeira lua de sonhos. Sentia falta de Maria, a mãe, e da loucura que herdara e não podia sentir. Jorge era todo feito de utilidades e precisava fazer certo. Jorge era instrumento de deus e dos homens e trabalhava as dores da vida, as dores de si e do mundo. Trabalhava e alimentava Marias, trabalhava e comia pouco, trabalhava e sorria um tanto, trabalhava, trabalhava, trabalhava. Até que foi. E foi.</p>
<p style="text-align: justify;">A gente não sabe bem o que acontece quando se perde tudo. Jorge perdeu Marias e sossegos. Trabalho e casa. Tudo varrido pela chuva, pelo ódio e pelo amor. Restou-lhe o miúdo delírio, dos tristes ratos verdes: o doce delírio da Mãe &#8211; Maria -, a Esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">Maria, Jorge, Mariazinha e miúdas Marias. E uma antiga esperança de tudo se acertar. Sei que não é na morte, sei que não. Jorge, afinal, palpitava macio um coração delicado no dia em que me surgiu. Podia ser outra a sua história. Talvez fosse. Mas gostei de imaginar, em seus olhos, Marias e luas e ratos e saudades. &#8220;Sua história, Jorge: um dos possíveis você.&#8221; &#8211; não sei se ele ouviu.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">(ler <a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/fuligem/" target="_blank">Fuligem</a>)</p>
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		<title>Fuligem</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 12:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[lá fora]]></category>
		<category><![CDATA[meninos]]></category>
		<category><![CDATA[cidade]]></category>
		<category><![CDATA[história]]></category>
		<category><![CDATA[memória]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa Poética]]></category>

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		<description><![CDATA[Como se as pedras rezassem desde Outono &#8211; quando eu desfolhava quase-virgem -, terminei minha última carta. Aquela que se direcionava a ele &#8211; ou a ela, ou aos deuses. Então veio o delírio: e o delírio era uma flor aberta em pólen ou sangue e a minha fuligem era tudo o que eu tinha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2011/12/esculturas-de-fumaça-4.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2011" title="esculturas-de-fumaça-4" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2011/12/esculturas-de-fumaça-4.jpg" alt="esculturas de fumaça 4 Fuligem" width="404" height="404" /></a></p>
<p style="text-align: justify;">Como se as pedras rezassem desde Outono &#8211; quando eu desfolhava quase-virgem -, terminei minha última carta. Aquela que se direcionava a ele &#8211; ou a ela, ou aos deuses. Então veio o delírio: e o delírio era uma flor aberta em pólen ou sangue e a minha fuligem era tudo o que eu tinha a oferecer. &#8220;Mas fuligem não alimenta flor&#8221; &#8211; segredou-me a criança, sem saber que eu era agora seca e poluída, eu era os rumos sem rumo da cidade amorfa: aquela que um dia engoliu o rapaz inteirinho. O rapaz, o rapaz, o rapaz: agora me lembro! Não era um delírio! E nem era um rapaz: era um senhor assim um tanto mais velho que o mundo ou que a fome e que me cantou umas glórias de amor. E me pediu moedas para matar aquela vontade de não sei o que. Perguntou minha graça, eu perguntei seu nome. Disse Jorge e me deu a bênção do Pai do Céu. Dei-lhe a mão e senti os calos. Ele disse que morava na rua e eu imaginei que havia sido, por muito tempo, um trabalhador desses que trabalham com as mãos. O dia inteiro sem parar. E então tinha agora sua casa coberta de escassas estrelas, um tanto de chuva e fome e vontade. Sempre havia a vontade e a bênção de Deus. Sempre havia segredo e coisas mais. Eu não podia saber se ele já havia amado, casado, feito filhos. Se desejava homens ou mulheres, se havia acariciado mansinho um cão malhado que havia sido seu na infância. Se teve uma tal infância de soltar pipas e aprender as letras na escola. Eu não podia saber &#8211; ou não queria? Teria perguntado, então? Oh, Deus, o delírio! Oh, Deusa, a flor aberta em pólen e sangue! Eu, fuligem. Sem saber semear. Acinzentando o mundo e depreciando os sonhos que não fui capaz de compreender. &#8220;O pólen me faz espirrar.&#8221; Então mataram as flores. As cores. As dores. Anoiteceu e eram apenas estrelas amortecidas. Parcas. Mas o moço, o rapaz, o senhor, o menino: todos eles um, uno, o ser, os tantos: tinham história. Não sei se de pipas ou de correntes, de bonecas ou de facas, de amores ou de sangue. Não sei. Eu não ouvi. Mas havia ali &#8211; a história que se tecia para um mundo além de mim. A história em teias infinitas: o mundo respira ali. Apesar da fuligem. Apesar de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<pre style="text-align: right;">Imagem: <a href="http://dicasmil.com.br/fotos-de-esculturas-de-fumaca.html" target="_blank">Esculturas de Fumaça, Mehmet Ozgur</a></pre>
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		<title>Despertar</title>
		<link>http://www.bailedemascaras.blog.br/despertar/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Dec 2011 23:45:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>carlajaia</dc:creator>
				<category><![CDATA[aqui dentro]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[versos]]></category>

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		<description><![CDATA[Certo como aquele roçar - fino e triste - das minhas folhas secas no seu telhado quebrado eu-árvore eu-vento eu-flor &#160; Certo como um sonho, amor: esses de voar passarinhos e borboletear corações eu ainda acreditando no primeiro desabotoar apressado do meu vestido azul: era tudo água, meu bem. A água mais quente do mundo. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2011/12/klimt_serpents2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-2004" title="klimt_serpents2" src="http://www.bailedemascaras.blog.br/wp-content/uploads/2011/12/klimt_serpents2.jpg" alt="klimt serpents2 Despertar" width="980" height="530" /></a></p>
<p>Certo como aquele roçar</p>
<p>- fino e triste -</p>
<p>das minhas folhas secas</p>
<p>no seu telhado quebrado</p>
<p>eu-árvore</p>
<p>eu-vento</p>
<p>eu-flor</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Certo como um sonho, amor:</p>
<p>esses de voar passarinhos</p>
<p>e borboletear corações</p>
<p>eu ainda acreditando</p>
<p>no primeiro desabotoar apressado</p>
<p>do meu vestido azul:</p>
<p>era tudo água, meu bem.</p>
<p>A água mais quente do mundo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>A água!</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Éramos nós e gozos</p>
<p>e lanças e tempestades</p>
<p>éramos mãos, ruínas, pernas e vontades</p>
<p>éramos ventre virilha aço e dobradiça</p>
<p>o fundo do fundo do fundo</p>
<p>e movimento.</p>
<p>Éramos, amor:</p>
<p>meu grito, seu sufoco.</p>
<p>O oco.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Eu-árvore, amor:</p>
<p>aguardando.</p>
<p>Eu-vento, amor:</p>
<p>atiçando.</p>
<p>Eu-flor, amor:</p>
<p>despedaçando.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Certo como aquele roçar</p>
<p>- alegre e manso -</p>
<p>que desperta nossas mãos</p>
<p>nossos pelos</p>
<p>nossas águas</p>
<p>Aquele que acorda a gente, amor</p>
<p>bem aqui.</p>
<pre style="text-align: right;">Imagem: Water Serpents  (Gustav Klimt)</pre>
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