jul 3rd
domingo

man ray 2 Era um tempo

Assim como Antônio pedia a Deus.

Assim como Cecília ajoelhava-se implorando que o senhor das letras a abençoasse mais uma vez.

Assim como eu chorava. E lá fora a menina gritava pedindo migalhas de amor. De pão. E algumas gotas de sol. Assim como: e eu comia tudo. Todas as histórias que me contavam. Todas as certezas, querida. Então eu acreditava em Deus e nas fadas e tinha certeza da existência de um diabo quente recém-saído do forno da terra. E ele me pegava e me torcia toda: tão forte, tão forte, que caíam de mim cintilâncias do passado – memórias de quando eu acariciava serpentes e não tinha medo da rua. Ou da chuva. De quando eu não acreditava em rugas – nem nas suas, meu bem. Nem nas suas. Eu anoitecia com as estrelas e me esquecia de amanhecer. Como se a minha mãe sempre fosse me acordar.

Era um tempo, Maria. De fazer orações sem saber pra quem. Às vezes, quem atendia era o diabo. Era bom.

 

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2 pessoas dançando

  • Lunna disse:

    O tempo das orações parece existir para todos, mas em alguns casos passa e pronto. rs

    bacio

  • Erica Gaião disse:

    Esse tempo é o tempo da incerteza, que eu vivo, você, a menina e todos nós… E, às vezes, são eles, os outros, que ouvem a nossa voz dizendo. Às vezes são eles, os outros que atendem. E, às vezes, é isso que a gente precisa.

    Sou sua fã e você sabe disso, doce Jaia!

    Beijos, querida!

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