domingo
Era um fio delicado e invisível e eram coleções infinitas, impossíveis. A casa dele era uma casa móvel, carregada de um canto a outro, e por vezes bem alto no céu, tudo ao sabor de seus ventos – frágeis ventos infantes que o desenhavam menino. Os pés eram grandes, os olhos dançantes, o mundo para ele era a casa e os ruídos insones da televisão ligada. Raramente o vimos nas ruas depois das seis da tarde. Às vezes ele saía e seus passos eram um desarticulado perambular. Saía com a mãe, seu desassossego pleno. Jamais se desmanchava de amores: escondia-se. Lá dentro o coração descompassava uma música suave arranhada pelos sons do jornal da noite e ele conhecia todas as notícias que o mundo lhe trazia. Desconfiava delas e então buscava recortá-las e costurá-las. Era um tecelão de verdades despedaçadas: fazia para si um mundo que destronava todos os senhores e todas as certezas e se reinventava nos novos remendos. Não era um mundo fácil, sequer legível. Sua língua era de outros universos e sua solidão falava um pouco da nossa, embora jamais ousássemos admitir. Éramos tolos em nossas certezas e temíamos o abismo fundo de seus detroços. Tudo no mundo é despedaçado, mas nós queríamos nos acreditar inteiros. Ele não.
Foto: Alexandra






quero saber mais dele.
quero agendar um encontro contigo.
quero-te bem.
beijos do bem
Fantástico!
Ouvi dizer que vai ser assim: o sujeito está lendo um livro, de repente aparece a indicação para que entre num site. Ele vai, é claro. Lá assiste a um telejornal e descobre uma parte da trama que ajuda a entender o tal livro que o remeteu ao site. Volta ao livro…
Pignatari diz que a palavra escrita morreu. Hoje o que escrevemos é apenas taquigrafia da palavra falada (ou cantada, recitada…) A poesia foi-se; e com ela a prosa…
Philip Roth diz que leitores sempre existirão, só que muito em breve serão apenas uma seita, como a dos colecionadores de moedas antigas.
Será, Carlinha? Será?
Se vc promete escrever sempre assim, eu garanto que vou sempre te ler, combinado?
Ah, tão bom que é!
Um menino passeia por aqui num texto que é só ele. =)
Beijo, querida.
Carlinha, mudei o endereço do blog, ó:
http://hojeotempo.blogspot.com/
muda aí.
beijoca
Bonita!