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ago 4th
terça-feira
à querida Rebeca

Querida Rebeca, Você tem razão ao se referir aos meus pudores, sou por vezes um corpo supenso no ar o tempo todo temendo o amor imenso que pode me causar a terra. Terra quente. Suspensa assim, equilibro-me nos medos que cuidadosamente construí, e eu lhe digo, querida: medo protege. Foi com uma delicadeza enorme que [...]

ago 2nd
domingo
uma carta sem muita razão de ser

13/08/06 Querida, Eu falaria a você dos tempos mais felizes, de quando eu acordava com aquela fome que fazia parecer que eu nunca havia comido: eu era apenas um começo. Engraçado como hoje o ar parece tão pesado, viro-me de um lado para o outro na cama, mas nada disso é sono. Talvez eu devesse [...]

mai 24th
domingo
       

A sua dança era tão bela porque torta. O seu balanço e meus enjôos. Hoje você não vê, porque tudo está no invisível que é minha morada, mas as coisas dançam coloridas atravessando seus poros e mostrando que é possível inventar um riso apesar da culpa. Toda a culpa viscosa que você prende na sua [...]

mai 22nd
sexta-feira
       

Que história é essa que insisto em calar como se nenhuma história valesse contar? Nem árvore genealógica, nem cartas antigas, nem o diário de mamãe, nem minha pele, minha pele extensa sem fim, de cores e poros para além de mim. Nada, Rebeca. Tudo permanece mudo, estrondosamente mudo no meu coração. O balanço do mar, o [...]

abr 5th
domingo
       

08/10/06 Mas, você sabe, tenho mania de achar muita coisa no mundo extremamente sexy, e já começo a salivar desde que amanhece: a voracidade da manhã é tão atraente que já me sinto desfalecer, e quem me dera poder contar ao mundo que tudo é muito magnético desde que nasci e que me sinto pólo [...]

mar 26th
quinta-feira
       

(29/07/06) Não, Rebeca, já não posso dizer que as coisas são assim. O último encontro foi como uma noite perdida, o moço vinha sem jeito contando as vantagens tantas e eu me retirava sem jeito e devagar pra não dar um susto. E desde então é isso: no mais, sempre a solidão. Sinto um pouco [...]

mar 8th
domingo
       

Perdoem-me, amores, mas eu preciso dizer: andamos brigando com o impossível. Socando o ar. Urrando de ódio contra o nada. Pois me diga, minha Julieta, se não notou que, enquanto você riscava ferozmente o nome “Montecchio” de seu diário, um belo rapaz nu abandonava sua cama e partia pra bem longe do seu lado, dos [...]