A casa do pai, o colo do pai. Ah, Lily, você está onde eu gostaria de estar. Internada, refugiada. Mas o pai está em uma longa viagem – manda fotos e saudades, pede que eu não me esqueça dos assuntos pendentes. O pai. O Pai. Meu Senhor e meu Deus! Meu Amor. Meu Amigo. Coisas [...]
segunda-feira
Alma irmã. Eu sinto. Como se você entendesse, como se eu entendesse, como se fôssemos. Então a história era muito bonita e não tinha corpo. Era mais fácil assim: eu não precisava pintar os entornos de meus olhos com o azul mais azul e tentar ficar a bonita mais bonita dançando madrugadas. Eu não precisava [...]
segunda-feira
Flor de Lis, Sem pé nem cabeça – voando pólen. Você. Gosto de seus diálogos secretos e de suas invenções de mim. Quando você me inventa, eu sou. E sou. E sou. Infinitamente sou. Um pouco do que você faz. Suas pétalas. Conto as histórias delas – minhas e suas. As partes de uma flor. [...]
quinta-feira
Lily. Então vem você e diz que achou que eu não havia gostado de sua mais recente doçura. Sua carta. E eu nem havia lido. Devo tê-la deixado empoeirada sozinha amarelada debaixo do sofá da sala. Devo ter esquecido. Porque ultimamente ando me esquecendo das coisas. Esqueci como se pronunciam ternuras e aventuras de fim [...]
terça-feira
Quando a pedra do mundo me afogar. O mar dos mortos. Sabe, Maria, quando a porta bate fria em vendaval? Sabe aquele pavor de não sei o que? E sabe quando você vê as rugas da avó e pensa em como tudo aquilo lhe dava medo? A casa dela. A casa dela no meio [...]
sábado
Lily, Querida Lily. Tive algumas boas manhãs de coragem nos últimos tempos. Coragem de coisa pouca. Miudezas. Realizar vontadezinhas. Pegar a estrada. Assim, sem medo: nós. E desatar outros nós – não aquele, não o mais importante. Mas você deve saber – porque dessas coisas você entende – como os nós, mesmo os pequenos, fecham [...]
sexta-feira
Lily, Lírio, Hipólita, Crina-ao-vento, Moça bonita que sorri suave. Hoje você balançava lenta, o filho no colo. E uma porção de histórias para contar. Você estava tão bonita que de repente parecia que o mundo inteiro poderia ser ali. Só ali. Eu tenho caminhado aos saltos aqui, sempre com um pouco de medo. Sempre com [...]
sexta-feira
Eu quero que você venha, Luísa. E que seus passos venham arder aqui: seu ardor e sua vontade. O filho que não é seu, mas que você acolhe como se. Vem me acolher, Luísa – desembarace meus cabelos com o fino toque de suas unhas. Deixe que eu corte suas unhas e lhe acaricie os [...]
quinta-feira
Seguem suas vidas inventando alegrias vãs – e quem sou eu para dizer que são vãs? Mas são. Por causa disso, sinto sua falta – sinto falta de roubar-lhe a tarde plena de calor e de respirar vazia no espaço tão amplo que você me oferece. A sua casa. Continuo na sua casa mesmo que [...]
terça-feira
Começa pela mãe. Ou pela boca. Começa em qualquer lugar, desde que ali: o meio do descaminho. Você me começou quando contou mistérios e, desde então, não durmo. Não durmo e, na insônia, faço silêncio – de que me servem as palavras? Sabe o seu nome? Queria que não fosse “mãe”. Queria contar aos seus [...]














