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dez 4th
domingo
A trama

Inicio a trama suave de minha vida qualquer. Ponho diante de ti uma xícara de café e biscoitos de amanhecer, entrego-te um sorriso bom: “Lembra-te do dia, meu bem? O nosso dia?” Desembaraço macios meu cabelos úmidos e deixo nas pontas gotas de mel – para que molhes tua língua na doçura minha. Assim, bem [...]

ago 29th
segunda-feira
Minha Flor de Lis

Minha Flor de Lis, Escrevo hoje tão calma – tão calma – como aquelas para quem a vida é simples. E deveria ser. Volta e meia ele vem e me diz que eu deveria perceber a simplicidade das coisas: estou aqui, estamos juntos e amanhã a boa nova vem. Vem? Nem vem. Eu espero a [...]

jul 22nd
sexta-feira
Seu tempo, Lúcio

  Lúcio,   Eu sou um pouco mais sempre um pouco mais mais velha que esse sorriso – largo e torto – que lanço para você quando mostro meus serviços de santa maria morte medo rainha ruína resvalando tédio   Mais sóbria que essa vontade lacrimejante e bicuda que finjo quando quero mimos doces cafunés [...]

jul 13th
quarta-feira
Carta – Dorme a serpente

Querida Hipólita,   A serpente mora aqui. Você sabe, você adivinha, você conhece. Ela mora na meiguice que me amacia em farsas mil: sou boa, sou santa e sou gentil. Dou uma esmola aqui, outra ali, e depois fico sonhando com minha liberdade egoísta, minha liberdade só minha, meus anseios de princesa. Bem assim, Amazona: [...]

jul 5th
terça-feira
A uma flor vermelha

Urbaníssima! Como se a cidade inteira se desenhasse no corpo dela. O amante sabia. E lia. Aquele mapa macio de todos os vãos, ruelas, praças – estradas iluminadas que se contorciam em meio a prédios enormes. Tudo ali. Nela. Ela era a própria cidade e suas luzes. Fazia amor quando era de manhã e selvageria [...]

jun 20th
segunda-feira
Carta – Pra lembrar

UM BILHETE SOBRE A MESA Flor de Lis me procurou esses dias queria um afago Dei a ela minha saudade rasgada: pedaços coloridos de amor *** Deixo bilhetes para mim, espalhados por toda a casa. Até debaixo do tapete. É que minha memória anda curta. Tenho hoje uma memoriazinha de nada, Flor de Lis. E [...]

mai 18th
quarta-feira
Carta – Um grito!

A casa do pai, o colo do pai. Ah, Lily, você está onde eu gostaria de estar. Internada, refugiada. Mas o pai está em uma longa viagem – manda fotos e saudades, pede que eu não me esqueça dos assuntos pendentes. O pai. O Pai. Meu Senhor e meu Deus! Meu Amor. Meu Amigo. Coisas [...]

mai 9th
segunda-feira
Das intensidades suas

Alma irmã. Eu sinto. Como se você entendesse, como se eu entendesse, como se fôssemos. Então a história era muito bonita e não tinha corpo. Era mais fácil assim: eu não precisava pintar os entornos de meus olhos com o azul mais azul e tentar ficar a bonita mais bonita dançando madrugadas. Eu não precisava [...]

mai 2nd
segunda-feira
Carta – Pétalas

Flor de Lis, Sem pé nem cabeça – voando pólen. Você. Gosto de seus diálogos secretos e de suas invenções de mim. Quando você me inventa, eu sou. E sou. E sou. Infinitamente sou. Um pouco do que você faz. Suas pétalas. Conto as histórias delas – minhas e suas. As partes de uma flor. [...]

abr 14th
quinta-feira
Carta – Voou

Lily. Então vem você e diz que achou que eu não havia gostado de sua mais recente doçura. Sua carta. E eu nem havia lido. Devo tê-la deixado empoeirada sozinha amarelada debaixo do sofá da sala. Devo ter esquecido. Porque ultimamente ando me esquecendo das coisas. Esqueci como se pronunciam ternuras e aventuras de fim [...]