jun 1st
terça-feira

amazona Carta   dessas lágrimas

Amazona ferida, de Franz von Stuck

Crina-ao-vento.

Você.

Gosto de você. E dizer que se gosta é tão delicado que parece que vai desmanchar. Sempre quis que o amor não fosse promessa. Embora eu, guiada pelas forças ciumentas de plutão, por vezes o segure pelo pescoço e, ameaçando morte, diga: queira-me.

Chamaríamos de hipocrisia esses nossos paradoxos? Sei que você paradoxiza também. E, não, não me ponho a adivinhar: apenas sei, porque é mania minha saber. Você também sabe. Conhece esses longos passeios na praia e sabe que ela, a companheira, seja quem for, também crineia ao vento amazona. Embora mais sutil, você diz. Sempre é mais sutil, o outro. Porque furacões a gente conhece melhor os de dentro.

E devo dizer outra coisa agora: recebo com ternura a boa nova. Notícia de seu lacrimejar, a perda. Perde-se a princesa que cavalgaria mundos, ganha-se o menino. Que, sabe-se lá, muito será. O tal do muito a que eu me refiro é essa miudeza que a gente conhece: nosso muito é suave como o vento. Não que ele – pequeno centauro – não possa ser grande aos olhos de multidões. Sabe-se lá – repito. Mas só temos a plena certeza de que sorverá a vida nas gratidões e alegrias que lhe apetecerem. Menino, potro, filho: pequeno. E – perdoe-me agora a pieguice – ele será seu miúdo mestre. Assim como ela, a deusa cavalgante, seria. Porque mestrar não é coisa nem de macho, nem de fêmea, mas de miúdos e miúdas que ventam incertezas.Você também tem suas miudezas, mestra minha! Incertas.

Incerto, Hipólita. Eu gosto de você. Amor sem arranca-pescoço, sem promessas.

Gosto!

(mas se doer, que chore…)

4 pessoas dançando

Dance também