terça-feira
Crina-ao-vento.
Você.
Gosto de você. E dizer que se gosta é tão delicado que parece que vai desmanchar. Sempre quis que o amor não fosse promessa. Embora eu, guiada pelas forças ciumentas de plutão, por vezes o segure pelo pescoço e, ameaçando morte, diga: queira-me.
Chamaríamos de hipocrisia esses nossos paradoxos? Sei que você paradoxiza também. E, não, não me ponho a adivinhar: apenas sei, porque é mania minha saber. Você também sabe. Conhece esses longos passeios na praia e sabe que ela, a companheira, seja quem for, também crineia ao vento amazona. Embora mais sutil, você diz. Sempre é mais sutil, o outro. Porque furacões a gente conhece melhor os de dentro.
E devo dizer outra coisa agora: recebo com ternura a boa nova. Notícia de seu lacrimejar, a perda. Perde-se a princesa que cavalgaria mundos, ganha-se o menino. Que, sabe-se lá, muito será. O tal do muito a que eu me refiro é essa miudeza que a gente conhece: nosso muito é suave como o vento. Não que ele – pequeno centauro – não possa ser grande aos olhos de multidões. Sabe-se lá – repito. Mas só temos a plena certeza de que sorverá a vida nas gratidões e alegrias que lhe apetecerem. Menino, potro, filho: pequeno. E – perdoe-me agora a pieguice – ele será seu miúdo mestre. Assim como ela, a deusa cavalgante, seria. Porque mestrar não é coisa nem de macho, nem de fêmea, mas de miúdos e miúdas que ventam incertezas.Você também tem suas miudezas, mestra minha! Incertas.
Incerto, Hipólita. Eu gosto de você. Amor sem arranca-pescoço, sem promessas.
Gosto!
(mas se doer, que chore…)






Ai, Carinha, que lindo.
Gostei de cada trecho que li, cada miudeza vertida em palavra e traço.
Beijo,
Aquele suspiro de quem fica sempre atônita com as suas palavras. Ooooh!
Poli,
é gratidão o que sinto, mas ainda mais que isto.
te gosto, tb, muito, e isso me parece quase etéreo.
até a próxima missiva.
Hipólita, crina ao vento.
Tão girassol: acentuadamente delicado, resistindo solar, soberano.
Solar escrita, dona de si, cada vez mais, uns abismos tão íngremes, tão doces. Afago do furacão.