nov 13th
domingo

cinza as cinzas das feiticeiras

 

para Paula Zilá, Maria Carolina, Moa…

Cantavam ali, sob o asfalto

as cinzas das feiticeiras

e as vozes de todas as mulheres

que me desciam árduas na garganta

Bebi!

Bebi o que rompia o asfalto:

o grito – esse dos corpos mutilados delas

minhas meninas

minhas mulheres

minhas amadas

as cinzas finas das feiticeiras mortas

a primeira, enforcada no mato

a segunda, nas mãos de seu dono

e – suplicando piedade nos braços do Pai -

a última:

que eram todas

filhas renegadas do deus das lágrimas.

A última: a nossa: a sempre

Agarrada aos pés do altar que se erguia

implorava por uma última gota de néctar

uma

última

gota

de

néctar

Até que se acabasse para sempre,

sempre

infinitamente sempre!

um sempre que se arrastou até ontem

quando ouvi

e bebi

- alegre e infinita -

a agridoce melodia das mortas

e o vento que balançava macio

as cinzas das feiticeiras…

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