domingo
para Paula Zilá, Maria Carolina, Moa…
Cantavam ali, sob o asfalto
as cinzas das feiticeiras
e as vozes de todas as mulheres
que me desciam árduas na garganta
Bebi!
Bebi o que rompia o asfalto:
o grito – esse dos corpos mutilados delas
minhas meninas
minhas mulheres
minhas amadas
as cinzas finas das feiticeiras mortas
a primeira, enforcada no mato
a segunda, nas mãos de seu dono
e – suplicando piedade nos braços do Pai -
a última:
que eram todas
filhas renegadas do deus das lágrimas.
A última: a nossa: a sempre
Agarrada aos pés do altar que se erguia
implorava por uma última gota de néctar
uma
última
gota
de
néctar
Até que se acabasse para sempre,
sempre
infinitamente sempre!
um sempre que se arrastou até ontem
quando ouvi
e bebi
- alegre e infinita -
a agridoce melodia das mortas
e o vento que balançava macio
as cinzas das feiticeiras…
Fonte da Imagem






Uma viagem ao longo das histórias humanas. Me perdi aqui entre o que é sagrado e o que é abstrato.
Ps. Posso levar esse poema comigo?
Leve, Lunna, leve! é uma honra, sempre! (mto obrigada!)
lindo, lindo, lindo!
te retorno qual fênix brotando de toda essa fértil cinza!
besos