jul 15th
sexta-feira

RondaInfantilPortinari A ronda

 

O amor faz a ronda de fim de tarde
e encontra o menino perdido
em sua paixão arruinada
sem chão;
encontra o velho calado
enquanto sua antiga esposa
dança as agonias finas
de ser amante de outro.
O amor faz silêncio:
não cura.
O menino se torna homem
e ama
incontrolavelmente
incontestavelmente
irremediavelmente
um outro homem.
O velho nunca mais veio
- dizem que é coisa de morte.
A velha – em sua sabedoria -
faz amor mansinho ao amanhecer
hora da labuta
das crianças na escola
dos carros e das buzinas.
Ninguém ouve
o gemido baixinho do amor
todo enrugado sob o lençol bordado
(era presente de casamento)

O amor faz a ronda de fim de tarde
e conhece todas as despedidas
todos os desencontros
todos os desencantos.
Conhece as vontades também
e coloca em todas elas
uma gota de perigo.

 

Imagem: Ronda Infantil (1932), de Candido Portinari

2 pessoas dançando

  • wuldson marcelo disse:

    Tradução do amor lançada na roda viva que é a existência humana. O amor faz sua ronda de fim de tarde trazendo o êxtase e a frustração. Tudo que o amor é: contraditório – simples e complexo.

  • Lunna disse:

    Uau. Adorei esse poema, será que você me autoriza a levá-lo comigo lá para o meu sótão? Gostaria de postá-lo na segunda das poesias. Se permitir, avise-me, por favor
    meninanosotao@gmail.com

    bacio

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